ENTRE CHÃO E CÉU
Tudo o que se vê parece mato. O mesmo mato? Ou outro algo? Sobre essa visão a nós humanos imposta as variações de cor e gesto nos trabalhos aqui reunidos se desdobram clamando por um olhar de outra luz, talvez de outro dia, ou outra hora do mesmo dia...
O que parece insistir é a vontade da erva daninha em ser mais do que dano, mas sim resistência ao fogo e depredação da natureza. Assim, em um campo expandido onde a várzea é depredação e o fogo é aniquilação, as paisagens construídas aqui insistem em expressar, através de algo semelhante ao pixo, que o futuro clama por aquilo que está além do que se vê agora.
O olhar, lançado por aquilo que parece uma janela, e a expansão da pintura para além do quadrado tradicional (ocupando também as laterais dos chassis) indicam uma sensação de liberdade para essa natureza que insiste em brotar, mesmo em meio ao fogo, ou até confundindo-se com ele.
A busca por liberdade e expressão do mato torna o que existe entre o chão e o céu um território de disputa, em constante contraste entre fim e renascimento. Assim, os astros que atravessam essa série trazem um tom de esperança, quase um clamor, dessa natureza por um futuro melhor, ou, talvez, um pedido pelo seu fim absoluto.


























